Dispor de uma semana apenas para treinamentos é um privilégio cada vez mais raro no futebol. O Inter, ao lado do Vitória e das quatro equipes egressas da Série B, terá essa abertura do calendário algumas outras vezes ao longo do ano por não disputar nenhuma competição continental. De resto, 14 clubes estarão envolvidos também com Libertadores ou Sul-Americana. Embora não seja uma condição que se almejasse, é preciso valorizá-la. Alan Patrick tende a ser um jogador a aproveitar-se disso.
De volta ao Inter no começo do Brasileirão de 2022, o camisa 10, além de nunca ter um substituto, não teve lesões que o tirassem muito tempo de combate e foi bastante utilizado por todos os treinadores que passaram pelo Beira-Rio. Nas últimas três temporadas, ele atuou 62 partidas em 2023, 45 em 2024 e 50 em 2025. No ano passado só esteve em campo menos do que Aguirre, 55 e Vitão, 53 vezes.
Neste ano, dos 11 compromissos, jogou seis. Domingo, ele entrou para ganhar minutagem em Erechim, o que deve se repetir no sábado, contra o Ypiranga quando Paulo Pezzolano mandará a campo um time reserva.
"Com Alan atuamos na estreia do Brasileirão, mas já tenho entrosamento. Em 2024 atuamos praticamente todos os jogos juntos. No ano passado com o Roger (Machado) e com o Emiliano (Díaz) acabou não acontecendo, mas a gente pode jogar junto. Somos três jogadores com características diferentes".
A frase é de Bruno Tabata se referindo ao capitão e também a Allex, jovem da base, canhoto como ele e também em busca de espaço.
Tabata chegou ao Inter na segunda metade de 2024 e viveu, junto com o time de Roger, o melhor nomento no segundo semestre. No ano passado chegou a conversar com o treinador para atuar no meio, pois via nos pontas Wesley, Carbonero e Vitinho características de jogo incapaz de reproduzir.
Agora, com Pezzolano, as oportunidades estão voltando a surgir. Foram oito jogos e na função mais à sua feição. "Desde quando o professor chegou, ele tem me escalado mais por dentro que é onde preferencialmente gosto de jogar", revelou no domingo. Allex disputou todas as partidas do ano e tem agradado o treinador:
"Tem tudo para brigar pela titularidade, mas na frente têm jogadores com muita qualidade, então tem que ter perseverança, seguir trabalhando e seguir aproveitando como está".
Tabata e Allex, ao contrário de Alan Patrick, não terão o calendário a favor. Menos jogos, em tese, significa menos preservações. Ainda mais de um titular absoluto e dono da braçadeira de capitão e com prestígio como poucos.
