Todo o sofrimento vivido pelo Inter no Campeonato Brasileiro do ano passado tem relação direta com uma escolha feita fora das quatro linhas. Em um cenário no qual o futebol brasileiro se tornou cada vez mais dependente de altos investimentos, o clube colorado foi justamente o que menos gastou entre os grandes do país em 2025. O reflexo apareceu na tabela: a equipe escapou do rebaixamento apenas na última rodada e ainda precisou contar com uma combinação improvável de resultados paralelos. Como os gastos serão ainda menores em 2026, o calvário também promete (e está sendo) ser o mesmo.
Os números ajudam a explicar o contexto. O Inter investiu R$ 437,2 milhões em futebol, valor muito inferior ao aplicado por concorrentes diretos. O montante representa quase um terço do investimento do Palmeiras e menos da metade do que desembolsou o Flamengo. Também é menos do que todos os 12 maiores clubes do Brasil. Nesta temporada, o orçamento prevê investimentos ainda menores, de R$ 406,7 milhões.
A arriscada estratégia foi detalhada pelo presidente Alessandro Barcellos após a aprovação sem ressalvas das contas de 2025 pelo Conselho Deliberativo, na última segunda-feira. Segundo o dirigente, o clube optou por reduzir despesas no futebol como forma de recuperar parte das perdas financeiras acumuladas. “2025 foi um ano para recuperar um pouco o prejuízo do ano anterior, muito por causa das enchentes. Conseguimos ter um superávit e uma redução da dívida, mas fizemos isso reduzindo a folha do futebol, um custo perigoso e que nos causou uma situação difícil no Brasileirão do ano passado”, afirmou.
Do ponto de vista financeiro, o resultado foi positivo. A dívida do clube caiu de R$ 977 milhões para R$ 940 milhões. Em campo, porém, o preço foi alto. Com elenco enxuto e pouca capacidade de investimento, o time viveu uma temporada marcada pela instabilidade e pela luta contra o descenso.
Mesmo diante do risco vivido em 2025, a direção decidiu manter a mesma linha para 2026. Até o momento, o Inter segue sem ampliar significativamente os gastos no departamento de futebol. As contratações foram pontuais e de baixo custo, reforçando a política de austeridade.
Internamente, o discurso também é de cautela. O técnico Paulo Pezzolano e dirigentes ligados ao futebol reconhecem que o clube deverá enfrentar dificuldades ao longo da temporada. O ano é tratado nos bastidores como “difícil” e “diferente”.
A campanha no Brasileirão reforça essa percepção. O Inter chegou a ocupar a lanterna da competição e ainda tenta se afastar definitivamente da parte inferior da tabela. Apesar da sequência de seis partidas sem derrota — quatro delas pelo Brasileiro — o time iniciará a rodada deste sábado apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, quando enfrentará o Vasco da Gama, no Beira-Rio.
