A mamografia pode ser uma aliada na identificação de sinais de risco de doenças cardiovasculares. Em estudo recente divulgado pela European Society of Cardiology, que contou com a participação de 123.762 mulheres sem doença cardiovascular conhecida, foi constatado que os depósitos de cálcio nas artérias da mama, associados a maior risco de infarto, insuficiência cardíaca, AVC e morte, puderam ser observados nos exames de mamografia.
Os depósitos de cálcio encontrados nas artérias podem construir, junto de gorduras e tecidos inflamatórios, placas dentro desses espaços, ocasionando a chamada aterosclerose coronária. Neste quadro, a passagem de sangue e oxigênio para o coração é dificultada, favorecendo o surgimento de doenças cardiovasculares – como ataques cardíacos, provocados por coágulos de sangue.
A médica radiologista e especialista em mamas da Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI) Vivian Milani, observa que, além do diagnóstico precoce do câncer de mama, a revelação de calcificações mamárias no exame auxilia no tratamento de doenças cardiovasculares. “Pode contribuir para o encaminhamento precoce dessas mulheres para investigação clínica complementar”, afirma.
Tanto o câncer de mama quanto as doenças cardiovasculares seguem entre os principais desafios da saúde feminina. Em relação ao câncer de mama, apenas uma pequena parcela dos casos está ligada a fatores genéticos: apenas entre 5% e 10%, de acordo com a Fundação de Pesquisa do Câncer de Mama. A maior parte dos casos está atrelada a fatores comportamentais e ambientais, como consumo de álcool, obesidade, sedentarismo e uso prolongado de terapia hormonal sem acompanhamento médico, como aponta o Ministério da Saúde.
Infarto, AVC e outras doenças do coração ainda são subdiagnosticados em mulheres, muitas vezes porque os sinais podem ser silenciosos ou se manifestar de forma diferente em relação aos homens. “Quando falamos em saúde da mulher, é essencial olhar para ela de forma integral”, indica Vivian. “Muitas doenças cardiovasculares evoluem silenciosamente, e a identificação precoce pode fazer toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida da paciente”, ressalta a médica.
Diagnóstico por meio de exames de imagem
Dados da FIDI apontam que, dentre os 4,8 milhões de exames por imagem realizados em 2025, 60,3% são de pacientes mulheres. O volume da presença feminina em exames de imagem cresceu 8,2%, ou seja, mais de 184 mil novas pacientes em um ano.
Dados da FIDI ainda apontam que o raio-X de tórax passa de 2 milhões de exames realizados pelas mulheres. Considerado o exame inicial para diagnósticos respiratórios e pré-operatórios, o raio-X de tórax também pode mostrar sinais indiretos de comprometimento cardiovascular, especialmente em quadros já sintomáticos ou mais avançados.
Segundo dados da FIDI de 2019 a 2026, a faixa adulta é a maioria absoluta do público feminino que realiza exames de imagem, com 7,8 milhões de pacientes; o público idoso apresenta 4,9 milhões. Os exames são mais realizados por mulheres em idade produtiva e de transição para a terceira idade, focadas em diagnóstico preventivo e acompanhamento de saúde ocupacional ou gestacional.

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