A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira a "Operação VoIP & Cloud”, com foco em desarticular um núcleo especializado em fraudes eletrônicas por meio de falsos leilões virtuais. A ação resultou na prisão de um homem apontado como principal articulador do esquema, em Embu das Artes.
A ofensiva foi conduzida pela 1ª Delegacia de Polícia de Canoas, após mais de um ano de investigação. O grupo utilizava sites fraudulentos que simulavam plataformas oficiais de leilão de veículos, com aparência semelhante à de instituições reconhecidas, para enganar vítimas.
De acordo com a polícia, os criminosos operavam com uma estrutura tecnológica avançada, utilizando sistemas para mascarar a localização real e simular atuação no Rio Grande do Sul, embora o comando estivesse em São Paulo. A identificação dos suspeitos foi possível a partir do rastreamento de “pegadas digitais” deixadas na criação das plataformas falsas.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos computadores, celulares e outros dispositivos usados como central de atendimento para aplicar os golpes. Também foram recolhidos dois veículos, um VW T-Cross e um Toyota Corolla, avaliados em cerca de R$ 350 mil.
Segundo o delegado Marco Guns, responsável pela investigação, há indícios de que o casal envolvido no esquema tenha movimentado valores expressivos. “Durante a busca e apreensão, foram encontrados elementos indicativos de que o casal tenha auferido mais de R$ 750.000,00 com os golpes; estima-se que a movimentação patrimonial total do grupo supere a marca de R$ 1 milhão”, afirmou.
No Rio Grande do Sul, ao menos 11 ocorrências foram identificadas entre 2024 e 2025, com prejuízo aproximado de R$ 200 mil. A comparsa do suspeito preso segue foragida.
Como funcionava o golpe
O esquema consistia na criação de páginas falsas que imitavam leiloeiras e até órgãos públicos, como Detran e juntas comerciais. Para ampliar o alcance, os criminosos investiam em anúncios patrocinados, posicionando os sites entre os primeiros resultados de busca.
Após o acesso da vítima, falsos atendentes entravam em contato via aplicativos de mensagem, pressionando por pagamentos imediatos sob o argumento de perda do lote. Os valores eram exigidos via PIX ou transferência para contas de terceiros, e rapidamente pulverizados em uma rede de empresas de fachada.
O diretor da Delegacia Regional de Canoas, delegado Cristiano Reschke, alertou para a sofisticação dos crimes. “A polícia civil tem se especializado na investigação telemática e no uso de modernas técnicas de investigação, o que tem permitido buscar esses criminosos em diversos cantos do país, de onde operam escritórios do crimes, acreditando estar imunes as nossas ações”, explicou.
Reschke destacou também que a Polícia Civil continuará apertando o certo a estes criminosos. “Já estivemos em outubro do ano passado em SP e retornaremos quantas vezes for necessário para prender outros criminosos, mas em paralelo é importante que se discuta mais camadas de segurança para o consumidor nas plataformas de internet”, completou.
A Polícia Civil orienta que consumidores verifiquem a autenticidade de sites de leilão, evitem pagamentos diretos a pessoas físicas e desconfiem de ofertas com valores muito abaixo do mercado.
