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Quarta-feira, 17 de Junho 2026
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Porto Alegre, 254 anos: oncologia e psiquiatria são as principais demandas na saúde

Secretário Fernando Ritter detalha os avanços e desafios na área

Porto Alegre, 254 anos: oncologia e psiquiatria são as principais demandas na saúde
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Que unidade de saúde você procura quando precisa de atendimento médico? Como está a lotação dos hospitais atualmente? Quais são os planos da Secretaria Municipal de Saúde para a área? Como a cidade se prepara para o inverno, período de maior demanda por atendimentos?

No aniversário de 254 anos, Porto Alegre ainda enfrenta muitos desafios na saúde. O titular da pasta no município, Fernando Ritter, conversou com exclusividade com a reportagem do Correio do Povo para explicar os planos da prefeitura nessa área essencial.

“O desafio no aniversário de Porto Alegre é conseguir nos comunicar ainda mais e melhor com as pessoas, tirar dúvidas e prevenir problemas. Precisamos nos preparar para uma população que está envelhecendo e que vai demandar alta tecnologia nos hospitais, especialmente nas áreas de câncer, cardiologia e neurologia”, afirmou.

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Ritter revela que, atualmente, a doença que mais leva a internações na Capital é o câncer. Entre as mulheres, o mais prevalente é o de mama, enquanto, entre os homens, é o de próstata. Ele também destacou avanços no atendimento oncológico.

“Estabelecemos como meta colocar o paciente certo, no lugar certo, no tempo certo. Temos tido avanços importantes. Hoje, em alguns casos, o paciente inicia o tratamento de 1 a 5 dias após o diagnóstico. Ainda temos gargalos, como no câncer de colo de útero, mas o tempo de espera caiu significativamente. Em grande parte dos casos, o tratamento começa em até 60 dias, muitas vezes em menos de 30 dias e, em alguns casos, em menos de uma semana”, disse. Ele também cita a abertura de um novo serviço de oncologia no Hospital Vila Nova e a ampliação das estruturas de atendimento nos hospitais Conceição, PUC e Santa Casa.

Além da oncologia, Ritter aponta as doenças mentais como a segunda maior demanda por atendimento em Porto Alegre, associando o cenário a uma sociedade cada vez mais pressionada.

Segundo o secretário, o município tem ampliado a oferta de atendimento em saúde mental. “Inserimos psiquiatras, psicólogos e terapeutas na atenção primária. Hoje, cerca de metade das unidades de saúde contam com esses profissionais de referência, o que reduziu significativamente os encaminhamentos para filas de espera”, afirmou.

Porto Alegre como referência

De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, mais da metade dos pacientes internados nos quatro hospitais de alta complexidade da Capital são de fora do município. Para Ritter, isso ocorre pela busca por atendimento especializado.

“Eu tenho que pensar em Porto Alegre, não só o cidadão porto-alegrense, mas sim Porto Alegre como referência, porque as pessoas pensam “eu sei que eu vou ficar 24 horas esperando, mas eu sei que quem me atender vai me atender bem. Vai me dar uma alternativa, vai resolver meu quadro”, afirma.

O secretário também comenta que ainda hoje há um desafio na regionalização e na descentralização do atendimento. Segundo ele, os hospitais de alta complexidade acabam sendo os mais procurados.

“O hospital tem uma essência de alta complexidade. E os hospitais em média complexidade, menos graves, infelizmente estão crescendo para zona sul de Porto Alegre, porque o Restinga é média complexidade, o Vila Nova é média complexidade. Agora a PUC, o Conceição, a Santa Casa ou o Clínicas são uns casos de alta complexidade. Eu não posso colocar um paciente com dor de ouvido lá. Eu tenho que botar o paciente que tem um tumor no cérebro. A regionalização não é tão simples”, explica.

Desafios

As mudanças climáticas e o envelhecimento da população estão entre os principais desafios apontados pelo secretário. Eventos extremos, como ondas de calor, frio intenso, enchentes e estiagens, impactam diretamente a saúde pública.

“Essas situações aumentam a demanda e favorecem o surgimento de doenças, como as arboviroses — dengue, leishmaniose, entre outras. Nossa ideia é criar um centro de monitoramento climático para antecipar cenários e organizar a resposta”, projeta.

O envelhecimento da população também exigirá maior capacidade de atendimento. Entre as medidas, está o reforço no atendimento a mulheres acima dos 50 anos no Hospital Presidente Vargas.

“Hoje nos falta estrutura física, como blocos cirúrgicos e espaços para ampliar serviços. Por isso, o prefeito aceitou o desafio de construir um novo Hospital Presidente Vargas, que será voltado à saúde da mulher, inclusive no tratamento de câncer”, revela.

Outro desafio é combater a desinformação e ampliar a cobertura vacinal, especialmente contra dengue e HPV.

“Temos vacina disponível, mas a adesão ainda é baixa. Menos da metade do público-alvo se vacina contra a dengue. No caso do HPV, oferecemos gratuitamente uma vacina que previne câncer, e ainda assim a cobertura não é a ideal. Precisamos melhorar a comunicação com a população”, afirma.

Ritter também destaca a redução nos casos de HIV/AIDS na Capital, embora Porto Alegre ainda registre uma das maiores incidências do país. “É um processo gradual, que exige continuidade”, pontua.

Entre as ações futuras, a Secretaria planeja ampliar a capacidade do pronto-socorro e construir quatro policlínicas em diferentes regiões da cidade. As unidades devem integrar serviços de Atenção Primária e Atenção Especializada em um único local.

“Não vamos resolver todos os problemas, mas vamos avançar. A ideia é construir uma Porto Alegre melhor na saúde”, conclui.

*com colaboração de Felipe Faleiro

FONTE/CRÉDITOS: corrio do povo
Rádio Primavera Guaíba

Publicado por:

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