O cenário político e econômico do Rio Grande do Sul e do Brasil foi tema da primeira edição de 2026 do Giro Pelo Rio Grande, evento promovido nesta segunda-feira pelo Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IFEP). Durante cerca de 1h30min, o cientista político Fernando Schüler e o economista Marcelo Portugal refletiram sobre temas que impactam o desenvolvimento econômico e social e os desafios para o futuro. O evento foi realizado no auditório da sede da Fecomércio-RS, em Porto Alegre.
Após o painel, Portugal afirmou que a discussão foi produtiva e informativa. Sobre as eleições de outubro, destacou o que considera ser o tema central. “A pauta prioritária no Rio Grande do Sul e também no Brasil é a fiscal. Estamos em uma trajetória insustentável do ponto de vista do tamanho da dívida pública. Infelizmente, essa pauta não deve ser discutida na eleição, porque não rende votos, ao contrário, tira votos. Mas é fundamental. Em algum momento, em 2027, quem ganhar a Presidência da República terá de dar uma má notícia: ou estabelecer limites mais rígidos para o gasto público ou aumentar ainda mais a carga tributária”, disse Portugal, que também é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O outro painelista, o cientista político Fernando Schüler, defendeu, entre outros pontos, a criação de mandatos para os ministros do Supremo Tribunal Federal. Na área econômica, ressaltou que há temas “invisíveis” que precisam entrar no debate político. “A discussão sobre produtividade é a que o Brasil precisa fazer. Não se aumenta renda por decreto, nem se melhora salário por meio de um projeto de lei. É preciso elevar a produtividade, e isso é um processo lento, que envolve reformas difíceis. O Brasil precisa de um novo pacto político, e nada melhor do que as eleições para construí-lo”, afirmou.
O presidente do Sistema Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, destacou a importância do evento e o foco nas eleições de 2026. Para ele, é fundamental que o debate se afaste dos extremos e priorize a economia e o desenvolvimento do País. “A preocupação deve ser com um discurso técnico. Precisamos abandonar os extremos, à esquerda e à direita, e focar no que efetivamente ajuda a população brasileira. Normalmente, os políticos olham para a próxima eleição, o voto é seu patrimônio, e não os condeno por isso. Mas é preciso pensar também na próxima geração, e muito pouco disso tem sido feito.”
A próxima edição do Giro Pelo Rio Grande será realizada em Farroupilha, na Serra Gaúcha.
