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Sexta-feira, 05 de Junho 2026
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Saiba quais tipos de câncer estão ligados à obesidade

Excesso de peso aumenta o risco de surgimento de tumores; no País, um quarto da população é obesa, e mais da metade tem sobrepeso

Saiba quais tipos de câncer estão ligados à obesidade
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A ocorrência de câncer depende de condições variadas. Um dos fatores de risco que pode facilitar o desenvolvimento de um tumor no organismo é a obesidade, doença crônica que atinge mais de um quarto da população brasileira, de acordo com levantamento do Ministério da Saúde.

relatório do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, mostra que, em 2024, 25,7% dos brasileiros já eram obesos – aproximadamente 41 milhões de pessoas. A análise também identificou que mais da metade da população estava acima do peso: 62,6% em 2024 – número que representa 20% a mais do que a quantidade observada no levantamento de vinte anos atrás.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), uma parcela relevante dos casos de câncer no País está associada ao sobrepeso e à obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 13 em cada 100 casos de câncer no Brasil são justificadas pelo excesso de peso corporal.

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As projeções do Atlas Mundial da Obesidade apontam que quase metade dos adultos estarão acima do peso até 2030 – cerca de 50% da população mundial adulta. O aumento dos indíces de obesidade e sobrepeso acende o alerta para o impacto que a doença causa no corpo, especialmente em casos mais graves como tumores.

Quais cânceres estão associados à obesidade?

A associação entre obesidade e câncer é multifatorial, como sugere o oncologista Mauro Donadio. “Do ponto de vista de saúde pública, a obesidade já se consolida como um dos principais fatores modificáveis de risco para câncer”, afirma o médico.

A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, aponta a obesidade como fator de risco para pelo menos 13 tipos de tumores. Veja a seguir:

  • Mama, especialmente na pós-menopausa
  • Cólon e reto
  • Endométrio
  • Ovário
  • Fígado
  • Pâncreas
  • Rim
  • Esôfago
  • Vesícula biliar
  • Estômago
  • Tireoide
  • Mieloma múltiplo, na medula óssea
  • Meningioma

Embora nem todos os casos dos tumores listados ocorram em pessoas com obesidade, o acúmulo excessivo de gordura corporal aumenta as chances, como explica o oncologista Mauro Donadio. “O tecido adiposo não é inerte. Ele produz substâncias inflamatórias e altera o equilíbrio hormonal do organismo”, aponta o médico.

“Não se trata apenas de peso na balança, mas de um desarranjo metabólico sistêmico”, afirma Mauro. Segundo o oncologista, a obesidade prejudica o organismo de diferentes maneiras. O estado de inflamação crônica provocado pela doença causa disfunção imunológica e, junto de alterações hormonais, cria um ambiente biologicamente mais favorável ao câncer.

Impacto da obesidade no diagnóstico e tratamento de câncer

A obesidade impacta negativamente o diagnóstico e a resposta ao tratamento. Pacientes com a doença são diagnosticados com câncer mais tardiamente, quando ele está em estágios mais avançados. Entre as razões para isso estão barreiras estruturais, como equipamentos inadequados para exames, e estigmas que dificultam o acesso e a continuidade do cuidado.

O tratamento oncológico é mais complexo nesse cenário. O excesso de gordura corporal pode estar relacionado a uma série de fatores: maior toxicidade e efeitos adversos da quimioterapia, maior resistência à radioterapia e complicações cutâneas, pior cicatrização e mais infecções no pós-operatório, redução da eficácia de hormonioterapia, mais efeitos adversos em imunoterapia. O risco de reincidência após um tratamento curativo é maior em pacientes oncológicos com obesidade.

Outro ponto crítico é a composição corporal. A perda de massa muscular, chamada sarcopenia, pode piorar a resposta ao tratamento e a qualidade de vida. Quando há combinação de obesidade e sarcopenia, o impacto tende a ser ainda mais significativo.

Tratamento da obesidade em pacientes com câncer

tratamento da obesidade é multidisciplinar. Pode incluir reeducação alimentar, atividade física regular e medicamentos antiobesidade, quando indicados e sem interação com terapias oncológicas. O tratamento também deve ter acompanhamento psicológico.

A endocrinologista e consultora científica da Voy Karla Bandeira ressalta que, por ser uma doença crônica, a obesidade precisa de tratamento contínuo. “Não se trata de uma intervenção pontual, mas de uma jornada estruturada, com acompanhamento médico, orientação nutricional e suporte contínuo ao longo do tempo”, afirma

“O maior desafio não é apenas iniciar o tratamento, mas garantir a continuidade com segurança. Quando a pessoa enfrenta a jornada sozinha, as chances de abandono aumentam significativamente”, reforça a médica. Para Mauro, controlar o peso vai além da questão estética: “É uma estratégia concreta de prevenção oncológica e de melhora de desfechos para quem já enfrenta a doença”, complementa.

Mês da Conscientização da Obesidade

Sete em cada dez pessoas vivendo com obesidade no Brasil sentem-se frequentemente ansiosas em relação ao seu estado atual de saúde devido ao seu peso, segundo pesquisa do Instituto Ipsos divulgada no Dia Mundial da Obesidade, 4 de março, que integra as ações do Mês da Conscientização da Obesidade. O percentual de 71% é o mais elevado entre todos os quatorze países pesquisados.

O Estudo Global da Ipsos sobre a Percepção da Obesidade comparou as percepções de pessoas vivendo com obesidade (3.094) e de pessoas que não vivem com obesidade (11.406) em 14 países. No Brasil, 92% afirmam que seu peso impactou negativamente sua confiança e autoestima – mais do que a média internacional de 85%.

No entanto, a percepção negativa dos brasileiros tem impulsionado ações. Mais da metade (55%) das pessoas vivendo com obesidade no Brasil consultou um médico sobre seu peso no último ano, em comparação com cerca de um terço (35%) globalmente. Em relação aos que procuraram informações sobre controle de peso on-line ou através de amigos, o percentual chegou a 62% – o maior entre os 14 países, e acima da média global de 50%.

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FONTE/CRÉDITOS: correio do povo
Rádio Primavera Guaíba

Publicado por:

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