A partir da próxima quinta-feira, dia 19, o transporte público de Porto Alegre passa a vigorar com uma nova tarifa: o valor sobe de $5 para $5,30. É um aumento de 6% em relação ao valor atual, e decorre da reposição inflacionária e do impacto da reoneração da folha de pagamento, previsto em legislação federal.
O reajuste acontece quase um ano após a última mudança, que ocorreu em um intervalo de quatro anos. A definição da tarifa também considerou o IPCA dos últimos 12 meses, entre janeiro de 2025 e fevereiro de 2026, com inflação acumulada de 4,44%. Desse total, R$ 0,25 correspondem à reposição inflacionária e R$ 0,05 ao impacto da reoneração da folha.
Alguns usuários do transporte, no entanto, reclamam do aumento e da permanência da estrutura dos veículos, defendendo que o preço deveria aumentar apenas se investisse em melhorias para as frotas.
A moradora do bairro Jardim Carvalho, Ana Paula Santos, afirma que o aumento da passagem é um "absurdo". "Os ônibus não têm ar-condicionado, são demorados. É muito caro para o serviço que eles oferecem", afirma. Ela lembrou que, ontem, pegou o transporte sem tinha ar-condicionado, e que fica muito tempo na parada. "É horrível, ainda mais nesses dias quentes". "Um mês atrás, o motorista tinha que estar pedalando o ônibus para andar, falhando o motor", exemplifica.
"É um caos", relata a merendeira Senira de lima da Silva, de 51 anos. Ela reclama da situação da estrutura dos ônibus, como os assentos. Tem que ter condições suficientes para colocar o ônibus na rua para quem trabalha, e para quem é deficiente, porque já vi cadeirante cair de ônibus", relata. Ela utiliza o transporte público todos os dias, pela manhã e à noite. "Minha oponião é que enriquece uns e a gente fica pobre ainda mais" A tendência é só piorar".
O morador do bairro Glória, Luis Fernando da Silva, não sabia que teria aumento na passagem. "É um absurdo", diz. Para ele, a estrutura dos veículos ainda é precária. "Teve uma vez eu peguei e fiquei na metade do caminho. Tive que pegar outro ônibus porque a porta de trás não fechava, e eles não podem continuar a viagem com a porta aberta", relata o morador da zona Sul. "Praticamente tem que usar um guarda-chuva dentro do ônibus, fica pingando água em cima de ti", usa outro exemplo.
O secretário municipal Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior, defende que reajuste se faz necessário por conta de aumento de custos anuais, como salário, custo de insumos e materiais, além do reajuste na inflação. "A gente tem feito um esforço para manter sempre a tarifa mais barata possível. Neste caso, a tarifa técnica seria R$ 7,35. Em relação ao ano passado, ela teve um aumento de 11%", explica. Ele afirma que, desde 2020, o Município aplica uma tarifa para o usuário que não reflete o custo, com subsídio. "Se a gente for pensar de R$ 5 para R$ 5,30 a gente tá majorando apenas seis de um custo que não reflete o todo", diz.
Ele também justificou que o impacto da gratuidade no sistema é R$ 313 milhões. "Nós estamos colocando parte disso em subsídio, que é R$ 250,00. O que, evidentemente, reduz o impacto do passageiro pagante", complementa, defedendo que seja necessário que o Governo Federal também faça a sua parte, pelo menos pagando a tarifa do idoso.
Com as notícias do aumento do valor, o secretário chegou a dar uma declaração de que a prefeitura mantém o compromisso de qualificar o transporte. Questionado sobre quais ações ainda serão feitas, o secretário destacou o programa Mais Transporte, que aumentou a frota em 538 ônibus, e que há em torno de 1.000 para 1.200 ônibus com ar condicionado. Ainda, a reforma em terminais de ônibus.
Questionado, também, sobre a declaração dos passageiros, o secretário afirmou que as equipes estão fazendo "todo o esforço" para manter a qualidade do transporte, com ações de fiscalização em eventuais problemas, como goteiras e ônibus que não rodam. "Há orientação nas garagens para os ônibus serem testados antes de sair, mas eventualidades podem acontecer. Então, uma situação ou outra que pode ter acontecido não reflete o sistema. Reflete uma uma situação pontual e que a nossa fiscalização está na rua para corrigir", defende.
O transporte individual por táxi também terá reajuste: a bandeirada passa de R$ 6,95 para R$ 7,24 de 4,26%, o que equivale a inflação do período entre janeiro e dezembro de 2025. O quilômetro rodado na bandeira 1 (das 6h01 às 19h59) será de R$ 3,62. Na bandeira 2 (das 20h às 6h, aos sábados a partir das 15h, domingos e feriados), o valor será de R$ 4,71.
