Há pelo menos um semestre, março vinha sendo considerado por líderes e articuladores políticos como o mês que acumularia uma série de decisões sobre a disputa pelo governo do RS. Entre as causas desta centralização estão desde a conjuntura nacional até a pressa de partidos e pré-candidatos, que a cada ano antecipam mais as negociações, passando pelas regras estabelecidas no calendário eleitoral, como os prazos da janela partidária e das desincompatibilizações para parte daqueles que ocupam cargos públicos e desejam concorrer. Confirmando as projeções, o mês já concentra uma série de ações que impactam o cenário eleitoral e as estratégias de postulantes ao Palácio Piratini. Confira os movimentos de cada um.
Covatti Filho (PP) – O deputado federal e presidente estadual do PP apresentou sua pré-candidatura ao mesmo tempo em que liderou a costura de uma aliança com o PL. No acordo, ficou estabelecido que, entre ele e o pré-candidato do PL, o com o melhor desempenho em sondagens eleitorais neste mês de março fica com a cabeça de chapa. Como o cenário atual favorece o PL, o PP, além do vice na chapa, pode indicar também um dos nomes ao Senado. A direção partidária já estabeleceu que, para definir esses nomes, além de debates internos, o partido vai fazer uma pesquisa ampla no final do mês e apurar o perfil desejado pelo eleitorado gaúcho. Para vice, o PP tem na mesa os nomes do próprio presidente, e dos deputados estaduais Silvana Covatti, Guilherme Pasin e Joel Wilhelm. A vaga do Senado foi oferecida para Ernani Polo, mas pode acabar endereçada a Onyx Lorenzoni. O senador Luis Carlos Heinze é citado por alas do partido como uma possibilidade para ambas.
Edegar Pretto (PT) – O presidente da Conab foi oficializado pré-candidato das federações PT/PcdoB/PV e PSol/Rede no final de 2025, quando também foram definidos Manuela D’Ávila (PSol) e o deputado federal Paulo Pimenta (PT) para a disputa ao Senado. Apesar disso, o petista seguiu sendo alvo de ‘fogo amigo’, com especulações sobre a possibilidade de a direção nacional do partido obrigá-lo a desistir da corrida para apoiar a pré-candidatura do PDT. Pretto respondeu colocando a pré-campanha na rua e acelerando articulações. No último dia de fevereiro, anunciou os coordenadores de campanha e do plano de governo e um roteiro completo pelo Estado, que já começou. Na semana passada, o grupo do PSB gaúcho que apoia a aliança com o PT e seu nome, liderado pelo ex-deputado Beto Albuquerque, ganhou a disputa interna com os que preferiam outras alternativas e assumiu o controle da sigla. O movimento não só ajudou a enterrar as especulações sobre um eventual apoio ao PDT como fortaleceu o PSB nas negociações para indicar o vice na chapa.
Gabriel Souza (MDB) – Pré-candidato do governo, o vice-governador teve baixas importantes nas negociações para manter a coalizão governista. Apostava no PP como principal aliado, mas acabou preterido. O mesmo ocorreu com Republicanos, Podemos e PSB. Na outra ponta, conseguiu ficar com o PSD, fechou com a federação Solidariedade/PRD, e obteve apoio do União Brasil, apesar de este ser federado ao PP. Na sexta-feira, 6, quando o governador Eduardo Leite (PSD) anunciou oficialmente sua pré-candidatura à presidência da República, também ficou claro que Gabriel assumirá o governo antes das eleições, ponto fundamental dentro da estratégia emedebista. Sobre Leite, o movimento não encerra as chances de ele concorrer ao Senado ou integrar, como vice, uma chapa pura do PSD na corrida nacional. O MDB ainda não perdeu as esperanças de atrair o PDT e o PSDB. Por isso, vem desviando das especulações sobre o atual chefe da Casa Civil, Artur Lemos (PSD), ser o vice na chapa. O Senado, para o qual o MDB apresentou o nome de Germano Rigotto, também faz parte das tratativas.
Juliana Brizola (PDT) – Após quase chegar ao segundo turno das eleições para a prefeitura da Capital em 2024 se colocando como alternativa à polarização, a ex-deputada segue pontuando bem em diferentes sondagens eleitorais. No partido, tem um aliado de peso, o presidente nacional, Carlos Lupi. À revelia das posições consolidadas no RS, ele ainda tenta pressionar o PT por uma intervenção no diretório gaúcho para que a sigla apoie Juliana, já que a conquista de um aliado é crucial para a manutenção da pré-candidatura. No contexto atual praticamente não há mais alternativas. Internamente, o PDT tem mais questões a equacionar. Parcela do partido no RS rechaça a união com o PT. Os deputados estaduais, que encabeçaram a ação para ingressar no governo Eduardo Leite (PSD), não escondem sua preferência, em caso de aliança, com a coalizão governista. Mas sabem que, nela, não há chances de o PDT ficar com a cabeça. E há o fator nacional. Juliana apoia a pré-candidatura do presidente Lula, enquanto o MDB gaúcho embarcará em uma ou mais candidaturas adversárias.
Luciano Zucco (PL) – O deputado federal pontua bem em diferentes sondagens eleitorais, e conseguiu obter antecipadamente a garantia de aliança com siglas que eram da base do atual governo do Estado ou tinham algum grau de aproximação com ele, o que consolidou na disputa uma coalizão à direita com tempo expressivo na propaganda no rádio e na TV e recursos igualmente significativos. O Novo foi o primeiro partido a fechar com o PL, indicando o deputado federal Marcel Van Hattem para uma das vagas ao Senado. Na sequência vieram o PP, o Podemos e o Republicanos. Além da cabeça da chapa, o PL apresentou o deputado Ubiratan Sanderson para uma das vagas ao Senado, mas ele pode ser substituído caso o PP opte por ocupar a cadeira. Como parte do planejamento para se mostrar conhecedor das demandas regionais, Zucco, que está no segundo mandato no Legislativo, também já começou a fazer roteiros pelo RS. Ele completa a estratégia assinalando sua proximidade com governadores do Sul e Sudeste e se apresentando como o único pré-candidato representante do chamado bolsonarismo raiz.
Marcelo Maranata (PSDB) – Para viabilizar seu ingresso na disputa pelo governo do Estado, o prefeito reeleito de Guaíba trocou, em setembro, o PDT pelo PSDB. Com a mudança, ele abriu mão da oferta que havia sido feita pelos trabalhistas, de garantir recursos para que se tornasse um dos principais nomes da nominata apresentada para a Câmara dos Deputados. A troca e o ingresso na corrida estadual também deram gás ao PSDB gaúcho. Com as ações, os tucanos conseguiram barrar os movimentos do governador Eduardo Leite para seguir com influência sobre o partido mesmo após ter trocado a sigla pelo PSD. E se reorganizaram para tentar fazer frente a debandada de lideranças regionais que ou seguiram o governador de forma imediata no ano passado ou, para garantir a manutenção dos mandatos, aguardaram para fazer isto agora, no período da janela partidária. Com o nome de Maranata afiançado pelo comando nacional, a legenda enfrenta no cenário atual a mesma dificuldade do PDT: a conquista de aliados que aumentem recursos, tempo e competitividade.

Comentários: